Um tempo atrás me pediram uma lista dos 10 maiores filmes de minha vida e quando fiz, vieram me questionar do porque da minha escolha por DESAFIO À CORRUPÇÃO de Robert Rossen, um puta filme de 1955. Lembro que poderia dar 4152263 mil argumentos técnicos pra defender minha escolha ma não....
Preferi o caminho da poesia.
DESAFIO À CORRUPÇÃO é um filme estrelado por Paul Newman na pele do jogador de sinuca Ed Felso, um sujeito que a vida toda se acostumoui a perder absolutamente tudo, não porque era incompetente, nem nada do tipo.
Perdia por convicção.
Uma estranha sanha pela derrota, de quem não esta acostumado com o doce sabor de vencer o que quer que seja na vida. E por um viés extremamente torto eis ae o porque do meu encantamento com o filme...
Há no perdedor um Elã, um charme, uma coisa elegante naqueles que só perdem na vida. Uma áurea de pureza e encanto que só o lodo da derrota pode trazer aqueles que vivem nessa margem. O curta que trago aqui tem muito disso.
UM SANTO PARA TELMO fala de uma situação costumeira para um pequeno time de Buenos Aires, o San Telmo. Uma equipe que em vias de despencar para 4ª divisão do Campeonato Argentino, precisa de um milagre, de algo totalmente insólito para salva-los da óbvia sina.
Se vão ou não conseguir, ae os senhores assistam ae embaixo...
Além de seu maior nome, PELÉ, o mês guarda os aniversários de Garrincha, que já foi homenageado aqui, e agora esse nome que não poderia faltar, Diego Armando Maradona.
Maradona...
A primeira vez que prestei atenção pra valer em Maradona foi em janeiro de 1981 com meus lúdicos 10 anos, assistindo Mundialito de Seleções vencedoras de Copas, disputado no Uruguai, em um sábado que aconteceria o clássico maior do Futebol Mundial, Brasil x Argentina. E amigo leitor, nada no futebol chega perto da grandeza de um Brasil x Argentina.
Os vizinhos de Sul América que haviam sido campeões mundiais em 1978 levaram o que tinha de melhor para o Uruguai, e o Brasil não ficou pra trás. Nosso timaço tinha Carlos, Getúlio, Oscar, Luizinho e Junior, Cerezo, Sócrates, Tita, Paulo Izidoro, Seginho Chulapa e Zé Sérgio. Éramos uma máquina que havia passado por cima da Alemanha de Rumenighe, Breitner, Fischer e Aloffs, com um 4x1 de fazer vergonha na estátua de Richard Wagner. Então no jogo, um pequeno camisa 10 da Argentina fazia de tudo para atrapalhar...
Maradona arrebentava com o jogo.
Driblava, chutava, armava, marcava, provocava. Um meia de 21 anos que bailava pelo lendário estádio Centenário. Era disparado o melhor homem ali, dentre os outros, apenas mortais. No entanto, como era um clássico Brasil e Argentina, coisas aconteciam. O Brasil atacou a fraca zaga Argentina e conseguiu um empate com um gol de Serginho Chulapa. Em seguida, após um bate boca entre o centroavante deles, Luque, e Oscar, nosso zagueirão meteu a mão na cara do barbudo. Maradona ao lado, deu um chute em Oscar e dai o pau comeu lindamente! Foi um dia em que Serginho Chulapa e Paulo Izidoro, bateram em toda nação portenha! Depois, o tempo passou e vi muito de Diego...
Vi Maradona apanhando demais na copa da Espanha em 1982. Depois vi o Athletic de Bilbao descer a porrada nele quando Maradona vestia a camisa do Barcelona. Porradas que resultaram numa fratura de tíbia, tirando de circulação por mais de três meses. Na sua volta, o vi fazendo gols de todas as formas em campos da Espanha e com a camisa da seleção Argentina. No entanto, num domingo em Bilbao, Maradona cansou de apanhar e arrumou uma briga generalizada no Sam Mammés, o que fez com que o clima para ele na Catalunha ficasse insuportável. Então em 1984, Maradona ruma para Nápoles, onde se fez toda magia dessa coisa ímpar chamada futebol...
Nápoles é uma região pobre do sul da Itália. Em 1984, ninguém dentro da própria bota, olhava pra região. Imaginem o mundo?! Pois é. Em um esforço sobre-humano, o pequeno time do Sul, levou Maradona para disputar o Cálcio. Seria algo como, Ronaldinho Gaúcho chegando no Figuresense, ou no Avaí para disputar o Brasileirão. Na época todo mundo dizia, que era o fim para Diego. Mas Maradona é algo um pouco maior que um réles jogador de futebol, pobre mortal. Diego é um semideus.
No país da bota, Diego jogou demais. Era um homem com uma cidade nas costas contra todo o resto do País. O que eu vi Diego jogar de bola, nas manhãs de domingo, durante as transmissões da TV Bandeirantes, tenho plena convicção que jamais verei, seja com Ronaldinho, seja com Kaká ou Messi, seja com um novo Puskas imaginário renascendo.
Com Maradona, a cidade de Nápoles entrou para o mapa múndi. Ganhou escudeto, Copa Da UEFA, subiu de status no futebol mundial e na sociologia europeia. E o mundo que insistia em não ver isso, viu em 1986...
Naquela copa, Diego já havia arrebentado em jogos contra Itália, Uruguai, Coréia... Mas faltava a sagração que os Deuses tem. Veio o jogo contra a Inglaterra num momento desgraçado para a geopolítica mundial. Em um clima acirrado, marcado pelas chagas do conflito que os dois países tiveram devido ao conflito nas Malvinas em 1981, uma guerra onde milhares de jovens argentinos foram assassinados, jogo aconteceu. E toda essa animosidade foi a campo.
Logo no começo, Maradona passa a ser caçado pelos ingleses. Terri Fenwick, jogador cavalar do Queenspark Rangers, numa disputa de bola, soca com vontade a cara de Diego sem bola. Uma estupidez revoltante. E o que Diego fez? Revidou com dribles, ginga, inteligencia, beleza e arte. O que aconteceu no Estadio Azteca naquele 22 de junho de 1986 é uma ode ao futebol em todos os tempos. Até gol de mão, Diego fez com uma elegância e uma beleza ímpar. Punho cerrado, saída do enorme goleiro Shilton e pimba! Gol de Mão para Argentina! Mas foi aos 9 minutos do segundo tempo, que os Deuses do futebol decidiram abençoar os que lá estavam.
Numa arrancada no meio campo, Diego começa a Driblar, todo o time Inglês. Margareth Tatcher, Rainha Elizabeth, e toda a dinastia vitoriana, seria vencida pelos dribles esgrimistas de Maradona. Passou por 5 jogadores, mais o goleiro Shilton para empurrar a bola para o fundo das redes.
Eu estava em casa e lembro como se fosse hoje. Ao pegar a bola e driblar Gary Stevens e Peter Reid, eu fui me levantando da poltrona da sala de casa e comecei a gritar “Vai Diego, vai Diego...” Meu pai correu pra sala e ajudou. Então eramos um coro: “Vai Diego, Vai Diego... Passa por esse, vai... Vai Diego...” - Silencio; Após ele driblar Peter SHilton, fizemos aquele pausa, aquele silêncio que precede os épicos pra depois explodir como o mais azulado portenho no bairro da Boca:
Eu comemorei aquele gol como se fosse de meu Verde do Parque Antártica. Diego entrou com bola e tudo e entrou pra história. E essa é a história que deve ser contada quando falamos desse homem.
Que se dane os problemas que Maradona veio a ter em sua vida pessoal. Com relação a isso, fiz o que deve fazer quem sabe reverenciar as Majestades, torci. E então ele deu a volta por cima e acabou. Lembro de Diego com as centenas de discussões que tenho com meu amigo Argentino, Diego Saravedra quando ele sempre me diz:
“Pouco importa para nós Argentinos, se Pelé é o maior jogador do mundo. Ele é, você acha que a gente não sabe? Só que Pelé não é o maior jogador da Argentina. O rei de vocês Chelo, não é nosso Diego...” - Pois é...
Um menino pobre, faminto, nascido numa favela em Villa Fiorito... Um homem de 1,62m de altura, que fez gols de cabeça, que derrubou gigantes com quase o dobro de seu tamanho, que fez o mundo olhar para uma cidade pequena como Nápoles... Que despertou paixões e ódios com a camisa do Boca Juniors, que vestia a camisa da Seleção Argentina, como se fosse o ultimo dia da sua vida. Diego é muito mais...
Maradona é a vitória do povo. É a chance que o pobre tem de se dar bem de vez em quando. Maradona é o triunfo do improvável. É o contrário que pode acontecer. Maradona é a lágrima que me lava a retina agora. Lágrima boa, emoção boa, porque na vida, aprendi que a única lágrima que dói é aquela que não escorre a face. E Maradona, sem a menor sombra de dúvida é responsável por uma boa parte das lágrimas alegres que o futebol me deu.
Com tudo isso, o CANELA DE FERRO, hoje não falará de rodada, classificação nem nada, para homenagear humildemente aquele, que encheu os corações de toda uma nação de torcedores ávidos por algum encanto. E ele proporcionou vários. No seu aniversário de 51 anos, Maradona, tenho o maior prazer de te parabenizar e finalmente poder te dizer:
Os irmãos Ethan e John Cohen filmaram o ótimo O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ para contar a história de Ed Crane, um pobre diabo, desgraçadamente triste barbeiro que vivia la sua vidinha meia boca ao lado de sua mulher Doris, uma decadente dona de casa dos EUA dos anos 40 e entre eles, tudo ia burocraticamente dentro dos conformes até que a dona ae em questão decide descolar um amante...
A partir dae o nosso corneado barbeiro Ed Crane passa a planejar uma mirabolante vingança que vai reger magistralmente a trama em preto e branco do ótimo filme e bem...
Não sei ao certo das possiveis conjetcuras que concatenam as questões mas, quando penso na chegada do técnico Emerson Leão ao São Paulo, o que me vem a cabeça é esse titulo... O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ...
Leão não está lá.
Estreiou ontém na derrota do tricolor para o Libertad do Paraguai por 2x0 e nem de longe lembra o resmungão treinador de outrora.
Emerson Leão já levou de mim todos os cacetes e criticas possiveis por conta de seu comportamento empolado, arrogante, truculento, suas concepções de vida retrógradas influenciando no exercicio de sua função de técnico e por ae vai. No entanto, ao aceitar ser o tampão do presidente Juju, Leão perde até isso, sua condição de ser um chato costumaz.
Leão é portanto uma cricatura de si mesmo. Um sujeito amarrado em uma banca de corderinho que todo mundo sabe que ele não é, a serviço de um presidente atrapalhado, que decidiu de uma hora pra outra, abrir mão de toda a inteligencia e bom senso possivel no exercicio de sua função. Juvenal Juvencio é uma piada triste. Não tem mais graça. Pouco pode ser levado a serio. Comporta-se no comando do São Paulo como um ditador latino, cafona, de fazer inveja a um Noriega no Panamá.
Com o Juju, o São Paulo perde demais. Perde a antiga classe tão decantada. E no meio dessa ausencia toda de elã, vem o nosso citado técnico. Leão é hoje o mais puro exemplo de um retrocesso no futebol. Arma seus times de maneira triste, com zagueiros em demasia, volantes broncos e uma previsibilidade de fazer brochar trio elétrico em Olinda!
Ontém após a surra levada no Paraguai, Leão disse que o São Paulo não deve mais pensar em talentos individuais, para se focar numa força coletiva. Bem eu sei la o que ele quis dizer, talvez nem ele mesmo saiba mas tudo se explica, caro leitor:
A pedido de meu amigo Xico Sá, preparei uma lista semana atrás dos 11 maiores “Bandidos” da história do nosso esporte ludopédico. Claro que a coisa instiga e talvez por conta disso, a coluna repercutiu bastante no Blog do amigo na Folha De São Paulo.
Então para ninguem ficar magoado, vou aqui traze-la no Canela de Ferro, com duas alterações “bandidisticas”, e com as fotinhas, para os amigos conhecerem nossos ricos personagens, Claro que o espaço tae, quem quiser mandar seu sangue-no-zóio, fique a vontade,
Segue os cartazes...
Almir – Craque de bola, baita jogador do Vasco, America, Flamengo, protagonista da maior briga da história do maracanã num flamengo x bangu em 1966. Perto dele, Edmundo é coroinha!
Serginho Chulapa – Maior artilheiro da história do São Paulo, atacante do Santos e matador. Dentro e fora do campo também...
Merica – Uma vez perguntaram ao Serginho Chulapa se teve algum jogador que já o fez afinar. Ele respondeu, Merica. Não precisa falar mais nada...
Chicão – Volantão classico, jogador do São Paulo dos anos 70, Chicão ficou conhecido como “O monstro de Rosário” Ao parar a Seleção Argentina no tapa, durante a Copa do Mundo de 1978
George Best- Histórico atacante do Manchester United dos anos 60, Best era grande apreciador da noite e dos uisques. Sua frase celebre; “Gastei meu dinheiro com mulheres e bebidas. O resto desperdicei em responsabilidades...”
Beijoca– Grande Camisa 9 do Bahia do final dos anos 70, ficou eternizado pelos seus dotes cachacisticos e sua grande habilidade de trocar porradas!
Paul Gascoine – Foi um meia ingles habilidoso no começo dos anos 90, bom de dribles e de copo principalmente!
Marião – Você que é garoto ae hoje em dia, que vive com essa coisa de peso de Ronaldo, peso de Adriano, pssssssss... Nos anos 70, havia um zagueiro que batia até no pensamento do atacante! Se notabilizou justamente pela sua protuberancia no consumo de Bacon e Suquinho de Cevada. Marião marcou época!!!
Eric Cantona– Um Bicho! Cantona é pop! Jogou no Manchester United no final dos anos 90, artilheiraço, fazedor de gols que entrou pra história ao “invadir a arquibancada” pra bater na torcida do Cristal Palace em 1998!
Doval- Milongueiro! Jogou no charmoso rio De Janeiro nos anos 70 pela dupla Fla-Flu. Há quem diga que o Argentino jogou muito mais na noite de Ipanema, que no Maracanã!
Paulinho Valentin – Nos anos 60 havia um camisa 9 matador, artilheiro de primeira linhagem, boêmio, marido de Hilda Furacão, que jogava no Grande Botafogo de Didi, Nilton Santos e Garrincha. Ae um dia o levaram para um jogo contra o Uruguai pelo sulamericano onde rolou um briga dantesca. Nela, o dito centroavante bateu na seleção uruguaia toda e em toda nação oriental ma sem dó mesmo! Paulinho Valentim é sem duvida o jogador mais macho do futebol brazuca!
Almir nasceu em Outubro de 1937, em Recife Pernambuco. Por lá começou sua carreira no Sport, de onde saiu em 1957 para fazer história no Vasco da Gama. Paticipou de um baita time, com Sabará, Moacir, Belini, Pinga, Orlando, Écio e ótimo goleiro Barbosa. Foi Belini quem se tornou seu primeiro grande companheiro, inclusive, levando-o para conhecr aquela que seria a maior paixão de sua vida; Copacabana.
No Vasco foi Super-Super Campeão em 1958 em cima do Flamengo e de cara, começou a chamar atenção não só pela habilidade, técnica, velocidade e inteligência; Almir era diferente...
Era uma época em que zagueiro chegava dando no meio mesmo. Jogador habilidoso sofria o diabo contra os virís beques. Em sua chegada, logo no primeiro tranco que almir levou de Jobert, zagueiro do Flamengo já foi pra cima; Disse-lhe o diabo e na jogada seguinte, levantou o zagueiro numa pernada dantesca. Dalí por diante, não apanhou mais naquele jogo. Almir era o craque que batia em zagueiro. Mais que isso...
Dono de uma personalidade forte, de uma vontade absurda de vencer e de extrema coragem, Almir jamais se rendeu ao que era considerado “via de regra” tanto em campo, quanto nos bastidores do futebol brasileiro. Aprendeu com Belini a tomar cuidado com seu dinheiro, a negociar com cartolas e principalmente, a lutar em campo para poder mostrar todo seu talento e potencial. Faria de tudo para que as travas das chuteiras dos violentos zagueiros, não o impedissem de realizar esse seu sonho. Conseguiu.
Tanto que rapidamente chegou a Seleção Brasileira em 1957. Naquele ano, disputava a vaga com Dida do Flamengo e Pelé para ir pra copa do mundo e não ficou magoado quando Feola optou por levar os dois primeiros. Em 1959 estava de volta para a disputa do sul americano de futebol onde protagonizou uma das mais dantescas brigas da competição.
Eram jogados 31 minutos do segundo tempo quando o zagueiro Manacera do Uruguai deu um murro em Pelé. No que o Rei revidou o pau comeu. Naquele dia, além de Didi, Pelé, Belini e Paulo Valentin, o valente Almirbateu em toda a delegação uruguaia!Esse episódio é considerado um marco no futebol brasileiro. Era a primeira vez que o Brasil vencia os vizinhos de continente, na bola e no pau. O jogo acabou 3x1 para o Brasil e o mito em torno de Almir crescia vertiginosamente.
Encreiqueiro, briguento, doido, bebum, drogado... Só lembravam do que Almir tinha de mais explosivo. Isso sem se importarem se o que o diziam era ou não verdade. Cansado disso, Almir pediu para ser negociado e ficou radiante quando o Santos de Pelé veio busca-lo em São Januário. Alí, venceu torneio Rio-São Paulo, Campeonato Paulista mas o seu maior triunfo estava por vir...
O Santos havia sido campeão da Libertadores em cima Do Boca Juniors e disputaria a decisão contra o Milan da Itália. No primeiro em Milão, Almir assistiu do banco a carnificina da zaga Milanista em cima de Pelé que, ainda machucado conseguiu marcar duas vezes que pouco adiantaram. Final; Milan 4x2. O Santos teria que vencer no maracanã para forçar a terceira partida. E sem Pelé! O Rei saiu arrebentado do jogo de Milão. Quando Almir vestiu a 10 do Santos chorou. Olhou para Pelé e prometeu-lhe a vida para honrar a sua camisa. Assim o fez.
O Santos Saiu perdendo o primeiro tempo por 2x0 no maracanã e quando tudo parecia perdido no segundo tempo, embaixo de chuva, Mengalvio diminui para o Santos e numa coragem insana, almir mergulho e de cara, empatou o jogo. Daí pra frente, começou a dar pancanda em tudo que era jogador do Milan, sabia que apanharia de volta, só precisava escolher onde, para ser bem sucedido...
Tomou uma porrada de Maldini, pouco a frente do meio campo, na intermediaria. Sabia que dalí, o canhão do pé esquerdo de Pepe não falharia. Na cobrança 3x2; Tudo indo bem e pra ficar melhor, Almir conseguiu levar mais uma porrada de Trapatonni para Pepe afundar mais uma vez o goleiro; Final Santos 4x2. No terceiro jogo se superou...
Enfiou a cabeça pra Trapatonni chutar dentro da área e o italiano não se fez de rogado; Enfiou-lhe a bota. Penalti. Na cobrança de Dalmo, o Santos fez 1x0 e sagrou-se bi-campeão do mundo em 1963. Era o auge.
Tudo ia muito bem pra carreira de almir que jogava muito bola mas não deixava de tomar sua cerveja, sua cuba, dançar os seus boleros, era um boemio clássico. Optando algumas vezes pela noite, teve sua carreira um pouco prejudicada. Mesmo assim, fez sucesso no Flamengo mas o “mito Almir” já era maior que o jogador...
Jogando pela Flamengo em 1966, na final do campeonato carioca, contra o Bangu, levando um 3x0, desconfiando que seu goleiro estava vendido e tomandoo um passeio de bola do Bangu, Almir não aguentou. Arrumou uma briga generalizada, com todo o time do Bangu. Saiu de campo beijando o escudo do Flamengo e batendo no braço para dizer que ali corria sangue.
Daí pra frente nada deu muito certo.
Almir passou um tempo na Itália, na Argentina jogando pelo Boca, no Corinthians e terminou sua carreira no América, não sem antes cair pra pancada numa briga na Rua Bariri, num América x Olaria, onde Almir apanhou muito e bateu muito também. Cansado, encerrou sua carreira e foi viver sua vida , na Copacana que tanto amava. Em 1973 começou uma série de reportagens para Revista Placar que acabaria resultando no livro ALMIR E O FUTEBOL.
Nele, Almir denunciou e deu nomes a todos os dirigentes corruptos que conviveu e que sabia, explicou o porquê de seu comportamento, sem fazer apologia ao mesmo, sempre assumindo os erros cometidos. Dizia não estar preparado para o sucesso num grande centro e que a vida no nordeste fazia com que ele entra-se em campo para batalhar um prato de comida mesmo. Relatou a sua convivência próxima com a mãe a quem sempre ouvia e fazia questão de ajudar. Do orgulho de ver o filho dando os primeiros passos com a pelota nos pés. Não fugiu de polêmicas:
Afirmou ter jogado dopado as finais contra o Milan. Mas também disse que o fez sem sequer saber o que estava tomando. Era comum, segundo Almir, que todo jogador tomasse aquelas bolinhas, ele apenas fez o mesmo. Até hoje, nunca ninguém do Santos veio a público contestar essa informação.
Numa noite de 6 de Fevereiro de 1973, em um bar de Copacabana, após um bate-boca com travestis, Almir foi assassinado com um tiro no meio do peito com apenas 36 anos de idade. Era o fim para aquele que sem dúvidas, foi um dos melhores e mais polêmicos jogadores da história do futebol brasileiro. Seu legado segue vivo. Almir é respeitado e lembrado sim por suas brigas e seu temperamento explosivo. Só que além disso, as novas gerações, com acesso a informação e à pesquisa, também sabem hoje do grande jogador que foi Almir.
A Coluna O MUNDO DA BOLA E SEUS ADORÁVEIS BANDIDOS tem portanto a honra de considerar-se inagurada tendo aqui esse genial jogador e grande homem. Em nome disso, o Canela de Ferro traz Maysa para cantar um bolero pra você Almir, Embora um pouco... diferente, esse nosso bolero, sei que você ia gostar...
Nossas odes portanto a Almir e Maysa. Ca pra nós, casal p-e-r-f-e-i-t-o!!
Como pode haver alegria em algo que não tenha a nobre presença feminina e todo seu charme e encanto? Ainda em um esporte como o futebol, tão cheio de magia, tão cheio de arte e idiossincrasia... Como poderia esse esporte viver com esse clichê tão pobre, sexista, preconceituoso e retrógrado?? Pois bem...
Eis que na Turquia, o Fenerbache começa a mudar essa coisa...
Após uma punição em sua torcida por conta de violencia e intolerancia nas arquibancadas o time turco tomou uma atitude sensacional:
Proibiu a entrada dos homens para o jogo entre Fenerbache x Manisapor!!!
Espetacular!!
O Estadio recebeu a presença de 41 mil mulheres!!!!! 41 Mil!!!!! Casa cheia, linda, florida!! O jogo acabou 1x1 mas não importa.
Afinal de contas, saiu por lá um gol impedido do Fenerbache, anulado pelo bandeira mas que se dane! Diante do charme feminino o chato do impedimento, regra tão complicada para nossas representantes de venus entenderem, foi totalmente banido!
O gol foi comemorado a exaustão e ainda hoje, tem lindas turcas achando que o time venceu o jogo por 2x1. E mediante a isso tudo, de que vale o cartesianismo das tabelas ludopédicas??
Lembro-me de quando fui assistir AMOR À FLOR DA PELE minhas expectativas eram enormes por alguns bons motivos.
Primeiro porque era um filme de Wong Kar-Way. O chines que fez sua vida toda em Hong-Kong, já tinha chamado atenção do mundo todo, com Felizes Juntos que lhe rendeu uma Palma de Ouro em 1997, Dias Selvagens, Amores Expressos... Lançaria um filme para falar de amor e ae, vem o segundo grande motivo; Com esse titulo em Portugues, dado momento da minha vida, imaginava que de fato veria uma densa história de amor a flor da pele na vera mesmo mas, ledo engano...
O filme trata da relação de um editor de jornal e sua vizinha, num cortiço da China de 1962. Com milhares de encontros inevitáveis, somado à viagem do marido da mulher para uma empresa no Japão, o clima de paixão de fato é levado a flor da pele, tudo regado a uma excelente trilha sonora com boleros calientes, closes fechados, pescoços lindamente filmados e a gostosa sensação de que há no filme, sempre um observador vendo a relação do casal em potencial, pelo buraco da fechadura. Mas a coisa não rola...
A beleza desse filme chinês está justamente nessa impossibilidade...
Com uma elegância incrivel Kar-Way seduz o espectador com uma atmosfera romântica. tratando da coisa da incomunicabilidade humana, da nossa incompetencia em viver um desejo de forma plena, dessa nossa incapacidade tosca de não entender os caminhos por vezes sinuosos do amor. Ae me veio a cabeça isso tudo quando passo a analisar a relação dos nossos clubes de futebol com essa tão almejada Liderança do Campeonato Brasileiro.
É impressionante o talento que clubes como Internacional e Corinthians tem para desperdiçar a chance de se viver a plenitude de morder uma coxa de frango assado no domingo a noite e arrotar dizendo “Somos Lideres”.
Ontém am Porto Alegre, ambos tiveram essa oportunidade.
Entraram em campo para decidir suas vidas na competição, em um confronto esperado por tudo que ele tem de histórico; Afinal de contas, ambos já decidiram um Campeonato Nacional em 1976 com vitória para a Maquina Colorada de Falcão e Batista, protagonizaram um erro antológico do Arbitro Marcio Rezende De Freitas em 2005, quando ao invés de assinalar penalti claro para o Inter, expulsou a vitima Tinga com uma arrogancia burra de fazer inveja a um Fernando Collor e por ultimo, decidiram a Copa Do Brasil com vitória para o Corinthians em 2009 em uma atuação de gala de Ronaldo. Ou seja...
Criou-se uma rivalidade.
E amigos, vos digo; A rivalidade é tão importante para o futebol, quanto o botox o é para Cristiane Torloni!
Os grandes momentos de nosso futebol, foram regidos por essa condição. Flamengo x Atlético no começo dos anos 80, Palmeiras x Corinthians quando o verde era digno, Barcelona x Real Madrid, Fenerbach x Galatasaray na Turquia... Imaginem os senhores, o que seria do esporte ludopédico se todos os jogos fossem disputados de maneira fleumática, com o Laquê do Pedro Malan?!
Que chato seria! Pois bem...
Tinhamos portanto todos os ingredientes necessários para termos uma grande partida de futebol no Beira-Rio. E ae vem a pergunta a lá Oliver Stone; Então porque não tivemos??
Amigo leitor a coisa na análise de um jogo de bola pode ser feita de duas formas:
Ou o homem da resenha é preguiçoso e encostado e aceita qualquer correria como “Um jogo muito disputado, com as duas equipes buscando o resultado o tempo todo...” ou senão da maneira que a gente escolheu aqui para essa coluna, quer dizer; Fugindo da mesmice e da pieguice da cronica fácil. E já que escolhi essa segunda opção, vamos então à vaca fria. Oras...
“As duas equipes buscando o resultado...” Mas isso é óbvio!! Vai buscar o que? Dez pãozinho e um leite no mercado do Seu Toyoda no Parque Novo Oratório?!?! CLARO que tem que buscar o resultado. Então porque as duas equipes ontém não o encontraram?? Pois bem...
O futebol mundial vive hoje um processo intrinseco de apequenamento das equipes e isso é deveras crônico. Ninguem mais quer atacar no futebol mundial. Os times se fecham atras com 3 zagueiros, 2 volantes, além de meias que voltam para fechar ainda mais o ferrolho e dois caboclo aberto pelas beiradas do campo, que tentam incessantemente esticar bolas para um pobre coitado de um atacante isolado no ataque. A idéia é ficar atrás esperando uma bolinha para sair desembestadamente para um contra-ataque. E essa correria é a que o cronista preguiçoso chama de “Um jogo de muita movimentação”. Tudo isso ficou claro ontém em Porto Alegre.
O Corinthians jogou com Willian e Jorge Henrique aberto dos lados mas não para abastecer o isolado Liedson no ataque. A primeira função de ambos era marcar a saida dos laterias Nei e Kleber do Internacional. O colorado, também teve Andrézinho e Oscar como meias que pouco faziam para sair da marcação do meio campo corinthiano e na frente, com o tal do Jô de atacante, não dava pra mudar muito o panorama que se apresentava;
Um modorrento jogo caminhando para um 0x0. E só não acabou assim porque Alessandro foi expulso idiotamente, de onde o Inter portanto pode pressionar até o Gol de Ney para o Inter, e porque O goleiro colorado Muriel, estupidamente montou uma barreira errada, para Alex aproveitar para fazer o gol corinthiano. Final de jogo, 1x1 irritante. E diante desse burocrático empate, cada um que escolha o seu veneno anti-monotomia preferido.
Diferente da FIFA que não sabe lhufas de bola, o CANELA DE FERRO presta aqui homenagem a esses que são os maiores nomes da história do futeol em todas as épocas; o Santos de Pelé, Dorval, Mengalvio, Coutinho, Gilmar, Mauro Ramos, Calvet, Pagão, Vasconcelos, Edu, Abel, Toninho Guerreiro entre tantos outros, fez, entre 1957 e 1969, mais de 2500 gols. Aqui no Canela, não tem Madrid e REAL, só a côrte do Rei Pelé...